segunda-feira, fevereiro 23

Filme do dia: Marley e Eu

+ Sobre o filme

Assisti agora pouco "Marley e Eu" e confesso que eu me emocionei com esse filme como há muitos anos não acontecia, acho que a última vez foi quando vi pela primeira vez "Em busca do vale encantado" lá nos meus tenros anos. Voltando a Marley ele me fez lembrar de como eu morria de medo de Book um dog alemão, que tinha 2x o meu tamanho que adorava me cheirar. Tila mais um da mesma raça só que essa gostava de deitar na almofada da sala e passar por entre as pernas das pessoas. Eles todo ano tinham filhotes que sempre meus irmão chamavam de Giraia e Giban. Para alegrar a casa trouxeram um tal de Baruk, poodle que eu fazia de boneca, penteava, botava lacinho... Ele ainda tinha um certo feitiche por máquinas fotográficas não podia ver uma que pertubava até tirarem a foto dele, ah! Ainda sabia meu horário da escola, quando ia chegando a hora ele ia pertubar meu irmão pra ir me buscar.

Baruk ainda teve duas companheiras Lora e Pintada, duas vira-latas com posturas de rainha, uma detestava a outra mas conseguiam dividir território. Pintada era feia que doía, só tinha pêlo no rabo, ponta das patas e no focinho que de vez em quando ainda fazia umas caretas, mas era a queridinha do meu irmão. Lora era totalmente da rua, acho que um dia ela viu o portão aberto entrou e ficou, uma vez ficou no cio e acordamos com todos os vira-latas de pituaçu no quintal de casa, dentre eles tinha Podrão e Olho de Vidro, bom desses não precisa nem explicar muita coisa. As duas ficaram grávidas, Lora fez aborto se jogando do terraço e Pintada teve Lady Di que virou o xodô da casa transformando a convivência pacífica delas num inferno, um dia as duas se agarraram e sobrou pra Lora que foi deportada para o Mercado de Peixe de Itapuã.

Depois deles veio a leva dos pastores, branco, alemão, belga de tudo passou por aqui. O primeiro foi Trovão um alemão todo espertinho, cresceu dentro de casa pulando todo dia de manhã na minha cama pra me acordar, até o dia que ele pulou e eu caí foi quando percebemos que estava na hora dele sair de casa. Para não se sentir sozinho ele ganhou três companheiras Night, Trovoada e outra que era uma mistura de Pit Bull com Pastor. Delas só sobrou Night uma Belga mucho loca, comia tudo que via pela frente e neurótica com fuga fazendo agente transformar o canil que era um vão com telhado sem portas, numa verdadeira fortaleza com porta, telhado reforçado, muros altos, grades em volta, ela ainda teve um filhote Beyoncé. Para a casa veio direto de Recife Fofa feinha que doía (sim, nós gostamos de cachorros feios) mas sempre solidária e comia do meu almoço. Surgiu também um tal de Lobo todo branquinho que voltava imundo e arrebentado das noitadas em que ele conseguia se soltar, um dia minha mãe injuriada com isso levou ele pro Extra Paralela e uma semana depois quem aparece no portão feliz da vida... Dele descobrimos que gostava de ir pro Parque de Pituaçu brincar com os guardas de lá.

Mas de todos o que mais eu lembrei foi Trovão que não aguentava ver uma chuva sem correr pro quintal pra tomar banho e voltar imundo de lama, vivia fazendo besteiras assim mas era de um carinho tão grande que fazia agente esquecer o que ele tinha aprontado, um dia ele ficou triste, amuado e descobrimos que ele estava com câncer e que por conta da idade não resistiria a cirurgia, foi quando chegou a minha vez de cuidar dele dando remédio de manhã com ele cuspindo, dar banho com ele fugindo e botar ele pra andar mesmo ele não aguentando. E assim como o Marley ele se foi deixando uma saudade do tamanho dele no lugar.

Trovão

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