Vira e mexe essa questão paira na mente como um toque para lembrar que para se ir basta estar vindo. Há umas duas semanas atrás recebi uma dessas notícias super chatas de se dar, e mais chatas ainda de se acostumar. Não passou muito tempo e esta semana recebi outra, ambas não me eram pessoas próximas, mas o tempo que convivi com elas deu pra sentir o quão boa elas eram. Meio complicado de explicar, mas sabe aquela pessoa que te atrai sem a menor explicação, aquela que você sente que já conhece mesmo sem nunca ter visto, ou aquela que te trata como se fosse da família e você só trocou dois dedos com conversa com ela. Pois bem, é por ai.
Minha mãe no auge da espiritualidade espírita dela me disse que pessoas boas se vão porque já cumpriram o papel delas nesse plano e que agora terão outras missões a cumprir em outros planos. Acho engraçada essa questão espírita, sempre falam tão tranqüilos sobre a tal da passagem, mas não querem fazer ela de jeito nenhum, outro dia perguntei a minha mãe se ela não tinha curiosidade pra ver o outro lado e recebi um “não, muito obrigada ainda tenho muito que fazer por aqui”.
E o que falar num momento desses? Nada, absolutamente nada. Gestos e ações sim, mas palavras essas só servem pra piorar, pelo menos assim me sentia quando vinham me dizer “isso passa daqui há algum tempo nem irá lembrar” “oh fulano não iria querer lhe ver assim” “sinto muito mas a vida é assim mesmo”, tsc... Todos textos de auto-ajuda daqueles que se lê... lê... e só sai o óbvio. Por isso, fico com os gestos por mais simplórios que sejam, estes a meu ver, valem muito mais do que um caminhão de palavras bonitas.
Por fim, a questão continua e sem uma explicação palpável o suficiente para que consiga amenizar os danos, a nós só cabe continuarmos nesse eterno processo do vir e do ir.
Dia de chuva
Há 17 anos

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